Testemunho dos ex-combatentes em Moçambique depois da guerra |
| Posted by Administrator (admin) on Sep 17 2008 at 6:11 PM |
Diz ela que entravam nas aldeias e tinham que percorrer com o objectivo de defender a pátria contra os agressores internacionais e os revulucionários, segundo as ideológias na altura.
Paciencia Manjate, conta que treinou primeiro no distrito da Moamba e depois seguiu para a província de Nampula, onde igualmente foi submetida a outros treinos de preparação político militar.
``O nosso treino militar tinha muitos aspectos, logísticos, políticos, técnicos e psicológicos``, afirma.
Segundo relata, o seu trabalho com as tropas era sobretudo político, na altura desempenha as funções de comissário político, o que quer dizer que dava treino político.
``Eu explicava porque era guerra e porque tinhamos que lutar``, afirma, tendo acrescentado que também cuidavam das crianças. ``Tinhamos que educá-las, elas formavam a nova geracão. Era por isso que a RENAMO nos odiava tanto durante a guerra. Estavamos atreinar a nova geração``, secundou.
Quisemos saber se tinham uma posição especial como mulheres no exército, pelo que respondeu: ``Não, não havia um tratamento especial, bom ou mau. É claro que todos podiam morrer. Estávamos no meio de uma guerra e as mulheres estavam certamente dispostas a lutar pelos seus ideiais. O nosso grande exemplo era Josina Machel, que lá se encontrava quando lutávamos pela Independencia. Ela treinou com a FRELIMO na Tanzania e mostrou claramente que as mulheres podiam também participar na luta``, sublinhou.
Em 1994 foi desmobilizada depois da guerra, pela ONUMOZ, entrávamos para o multipartidarismo. Neste tempo haviam divisões entre familiares, porque houve irmãos que lutaram um contra o outro durante a guerra.
Sem mágoas recorda: ``A minha irmã viveu um incidente. A sua casa foi atacada e ela viu morrer um dos seus filhos, quando lhe cortaram o pescoço. Havia sangue por todos os lados da sala de estar. A minha irmã nunca quis aceitar o que acabara de acontecer. Nunca quis falar com as pessoas que cometeram este acto terrível`, realçou, para depois afirmar que paulatinamente foi acreditando que de facto algo havia acontecido e que era possível dialogar com as pessoas que estiveram por detrás do acto macabro e dos vizinhos. Para tal revela que teve que desempenhar um papel prepoderante neste processo.
Membro fundadora da Associação Moçambicana dos Desmobilizados de Guerra (AMODEG), da qual exerceu as funções de Secretária-Geral, Paciencia Manjate, diz que o objectivo da constituição desta organização, era para defender os interesses dos associados ou seja dos ex-combatentes. `` Eu sei que a maior parte da população civil tem medo de nós, porque traziamos armas de fogo. Mais nunca tivemos a ideia de causar medo e intimidar as pessoas. Na AMODEG, tentamos achar soluções inteligentes para os problemas dos ex-combatentes e defender os nossos interesses. Não organizamos manifestações, porque pensamos que isso não ajuda a nossa causa. Preferimos trabalhar por meio de acções específicas de lobbying, defende.
Dentro da organização haviam indicações claras sobre quem estivera ao lago do exército governamental e da RENAMO. Dai que houve um tratamento igual para ambos lados, previlegiando-se um contacto pessoal.
Paciencia Manjate, aponta que faziam algumas perguntas dentre as quais passamos a trascrever: ``Onde é que o senhor se encontrava quando foi desmobilizado do exército, como está a família´´, dentre outras.
O facto de se ter criado um grupo com interesses comuns, também ajudou muito a ultrapassar qualquer obstaculo que fosse. Reconheceu que a PROPAZ, trabalha com a mesma filosófia, sendo necessário distinguir entre as comunidades as políticas a adoptar. É comum em Moçambique as pessoas estabelecerem uma distancia entre elas, como membros da sua comunidade.
Salienta que discussões sobre política e a conversa de políticos no nosso país ainda estão estreitamente ligadas à guerra na mente das pessoas, sendo melhor afastar-se delas.
Paciencia Manjate é casada com um homem que conheceu lá vão 20 anos na Academia Militar em Nampula, província do mesmo nome, norte de Moçambique. O casal tem tres filhas, sendo que a mais velha frequenta o ensino universitário, enquanto que as restantes duas vão ainda à escola.
Actualmente a nossa interlocutora é mais prática e pensa de maneira muito menos ideológoiga. ``Há pouco a RENAMO quis lançar um debate nacional sobre a modificação dos actuais simbolos do Estado, que incluiam um AK47, um livro e outras coisas. Depois de alguns artigos nos jornais nacionais, a proposta acabou não tendo efeito, acrescenta.
A nossa fonte não tem papas na língua sobre este tipo de assuntos e diz. `` Tudo isto são piadas. Vamos falar de problemas mais práticos e examinar o que se pode fazer a esse respeito. Não precisamos de políticas ocas´´, conclui, Paciencia Manjate.(X)
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