Em Moçambique |
| Posted by Administrator (admin) on Sep 18 2008 at 4:16 PM |
O acordo geral de Paz para Moçambique foi assinado a 4 de Outubro de 1992, em Roma, capital italiana, pondo termo à guerra que ao longo de mais de 15 anos vinha devastando o país.
Passados hoje 16 anos, a Associação Instituto de Promoção de Paz (PROPAZ), tem vindo a desenvolver campanhas de promoção da paz, direitos humanos, género, unidade e reconciliação através de programas de capacitação em resolução de conflitos a nivel comunitário e nacional, na defesa da justiça e pela prevenção e luta contra as causas da violência nas comunidades.
De acordo com a directora executiva da PROPAZ, Jacinta Jorge, o acordo geral de paz em Moçambique foi bem sucedido, porque abriu caminho para o estabelecimento de uma paz duradoira e de uma sólida democracia. "Os ex-combatentes foram integrados em diversos projectos de desenvolvimento no país. Mais faltou na altura da sua reitegração na sociedade, a componente de educação para a mudança de atitudes das pessoas que estavam no exército”, frisou. Como forma de colmatar esta lacuna, a PROPAZ, lançou-se logo de imediato nesta área, previlegiando a educação para a paz, projectos de rendimento, como forma de ocupar os ex-militares no seu dia à dia. “Nós pegamos nesta área de educação para a paz, porque os ex-combatetes, quando sairam do exército encontraram muitas dificuldades no sector vocacional”, apontou a directora executiva da PROPAZ.
Nesta lógica, a Associação Instituto de Promoção de Paz identificou alguns projectos, um dos quais de resolução e transformação de conflitos, envolvendo os ex-combatentes da Frelimo e da Renamo, observando igualmente a questão de género.
Numa primeira fase, segundo a nossa fonte, houve pessoas que mal interpretavam os objectivos da PROPAZ, confundido-o, nas vésperas das primeiras eleições presidenciais e legislativas em Moçambique como um partido político.
“Nós tinhamos objectivos claros, usando o lema “Educação e acção para a Paz. Unimos todos os ex-combatentes da Frelimo e da Renamo, para falarmos da Paz”, acrescentou. Noutro desenvolvimento, afirmou que foram criados formadores e promotores da paz, com o intuito de mulplicar a informação, onde cada grupo é composto por ex-combatentes da (Renamo e Frelimo), régulos e líderes comunitários e religiosos, formando assim grupos comunitários de resolução de conflitos. “Quando realizamos seminários, debates ou reuniões, convidamos os representantes dos governos locais e dos dois Partidos (Frelimo e Renamo). Quando elaboramos os relatórios das actividades enviamos ao conhecimento dos governos locais,” elucidou a nossa interlocutora.
Uma das apostas da PROPAZ nos próximos dias é ocupar os ex-combatentes em actividades de geração de rendimento. “Se estas pessoas não tiverem pensões de invalidez, locais de recreação, isso pode perigar a própria Paz. Estamos a falar de uma sociedade onde existem pessoas que pensam. Indivíduos que pegaram em armas”, afirmou Jacinta Jorge.
Na óptica da directora executiva da PROPAZ, é preciso uma conversa aberta e também criar condições para que os ex-combatentes façam algo útil para o país. Para ilustrar, revelou que Moçambique é um país rico em recursos, devendo para tal, serem criadas condições de emprego a todos os cidadãos, particularmente os ex-combantes.
O plano estratégico da PROPAZ prevê a sensiblização da população para a identificação de locais de esconderijos de armas, para a sua posterior destruição, em colaboração com a Polícia da República de Moçambique (PRM). Um trabalho idêntico foi efectuado nos distritos da Moamba e Matutuíne.
Na primeira reunião nacional, realizada em 2005 na província de Sofala, sob lema “o papel do ex-combatente na construção da paz”, onde se adoptou uma declaração, denominada “ Declaração de Maríngue”, as pessoas foram unânimes em afirmar que queriam a paz.
Neste momento a PROPAZ esta a descentralizar as suas actividades, estando-se neste momento num projecto piloto no distrito de Magude, na província de Maputo. A fase seguinte vai abranger os distritos de Cheringoma e Maríngue na província de Sofala. Nestes locais, os ex-combatentes participam na sua vida quotidiana.
A PROPAZ defende que os projectos a serem levados acabo, devem ser desenhados com base nas iniciativas locais, dai a descentralização da organização. “O projecto de descentralização vai ajudar muito a PROPAZ. Cada delegação terá sua direcção local”, disse a directora executiva.
Cabe a sede consolidar ainda os grupos a serem desecentralizados, tendo em conta que é um desafio novo da organização. Espera que a partir desta ideia os distritos encontrem financiamnetos para a materialização das suas actividades.
Outro grande desafio da PROPAZ em Moçambique é a reitegração dos ex-combatentes. “Não estamos capacitados para dar emprego. Mais quando encontramos uma organização que trabalha na área de desenvolvimento, encaminhamos o apoio para ex-combatentes. Continuamos a fazer esta ligação e a procura de parceiros”.
Exemplos bem sucedidos são de alguns ex-combatentes que estão empenhados na luta contra a pobreza absoluta no país.(X)
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